Segundo empresa que faz intermediação entre motoristas e empresas, queda no ritmo só deve ser sentida dentro de um mês

Com 35 anos de experiência no mercado de transportes, o executivo Carlos Mira, CEO e fundador do TruckPad, uma empresa que conecta caminhoneiros e empresas interessadas em entregas, diz que, por enquanto, não há risco de desabastecimento nos supermercados do país. “Os caminhões estão rodando na mesma intensidade de antes do coronavírus e os estoques dos lojistas garantem o consumo por pelo menos mais 30 dias”, afirma.

Mira diz que os pedidos de entrega continuam em ritmo alto e devem se manter assim, ainda que a crise causada pela pandemia se estenda por mais alguns meses. “O que pode acontecer em médio prazo é que alguns itens sejam mais vendidos nos mercados e acabem exigindo mais veículos, enquanto produtos considerados supérfluos percam espaço.”

“Pode diminuir o nível de atividade econômica, mas desabastecimento não vai ocorrer”, acredita o executivo. Segundo ele, uma pesquisa da TruckPad feita com 300 caminhoneiros nesta semana mostrou que todos os motoristas se dizem interessados em continuar trabalhando, apesar do risco de serem infectados.

“Todos estão adotando medidas para se prevenir contra o vírus, mas acreditam que, por trabalharem sozinhos na boleia, estão mais protegidos que outros trabalhadores.”

Além de não sentirem medo do contágio, uma característica desses profissionais justifica a decisão de não parar. “Esses motoristas são grande empreendedores. Além de ter um espírito aventureiro, de gostarem da estrada e dos desafios, eles se consideram meio como a banda do Titanic, que continua tocando mesmo quando o navio está afundando. É difícil algo impedir que trabalhem.”

A empresa tem em seu banco 400 mil motoristas registrados e 10 mil empresas, que fabricam ou compram produtos de vários setores da economia e em todas as regiões do país.

O serviço que ela presta é similar a um Ifood ou Uber Eats das entregas rodoviárias. “Um cliente diz que tem determinada mercadoria para levar ou trazer e o algoritmo que desenvolvemos escolhe os motoristas mais aptos para aquele serviço.” A negociação do valor do frete é feita entre as duas partes e a TruckPad recebe mensalidades das empresas que contratam os caminhoneiros.

fonte: https://noticias.r7.com/economia/caminhoneiros-trabalham-no-mesmo-ritmo-de-antes-do-coronavirus-20032020

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